E essas mãos que se misturam, e esses corpos que se perfazem em outros corpos, os dedos suaves, o sono leve, o repousar... Talvez eu nunca vá saber o que deveria, talvez eu nunca vá entender o que gostaria. Mesmo em prantos, silêncios, sob seu olhar. É assim, um esboço apagado de um parco sorriso, uns olhos que quase perdem o momento intacto e indelével que se apresenta. Que eu não permita que a presença seja menor do que a lembrança, que eu não troque as coisas que existem por "las" que não resistem.
Pois sei que, para repousar no peito um instante eterno, é preciso estar atento ao que se quer e ao que não se quer eternizar.
Escrito por Luciano às 10:51:12
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Sim, ele a amou. Até o último instante ele a amou. E não foi preciso que alguém percebesse o que o seu semblante transmitia. Nada que os lentos anos transcorridos pudessem desmaterializar as mãos frias e os olhos cerrados do destino. Para ele era doloroso relembrar as últimas palavras deixadas por ela: "sou sua e nunca fui sua". Difícil era riscar a noite sem possuir ao redor aquele espectro de amor e de luz com o qual desejava o seus dias findar. No entanto, ele agora a carrega consigo em todos os largos passos arriscados, em todos os erros cometidos, em todas as súplicas de amparo e solidão. Mas também a leva de mãos dadas, desmancham-se em sorrisos, afetam-se de afeto. Pois ele bem sabe que a vida é uma extensão de outra vida e que a morte é um mero obstáculo posto por engano em seus caminhos.
Escrito por Luciano às 09:10:40
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BRASIL, Centro-Oeste, CAMPO GRANDE, CENTRO, Homem, de 26 a 35 anos, English, French, Cinema e vídeo, Música MSN - lucianodeaguiar@hotmail.com
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LUCIANO VIEIRA - Jornalista e produtor cultural.
Escritor desde 94, possui há 2 anos o blog PAPIROS. Escreve também para os sites literários "BALELA" e "VER O POEMA".
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