Você está ouvindo: Zbigniew Preisner - Fashion Show 2 (espere aprox. 20 segundos. A música começa automaticamente) -- --

Não está pronta para receber de bom grado

A confirmação de tudo que sempre esperou.

Não está preparada para recolher os louros,

Das glórias que aguarda e que nunca virão.

Não, nem todas as suas vontades hão de ser atendidas,

Nem mesmos aqueles mais fúteis desejos

Que tanto nos confortam em tardes quaisquer.

Partindo, escolheu o seu mais triste caminho,

Pois jamais saberá que todo este carinho

É a verdadeira conquista que sempre buscou.



Escrito por Luciano às 04:15:54
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Eu fujo, você chega,

Eu me calo, vc discorre,

Eu presto atenção e vc nem sabe

O quanto quis estar aqui com você.

Na verdade o que faço

É por desejo de amor de acolhimento,

De entrega desarmada, de saudade confortada,

Amor, que é amor maior, por muito tempo.

Porque é assim: uma entrega exagerada,

Um peito pulsando forte,

O aguardo de uma resposta que nunca virá.

Fomos iguais, mas nunca seremos os mesmos, novamente.



Escrito por Luciano às 02:24:25
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Eu espero.

Espero que a paz impeça

A turbulência exagerada,

Que o olhar perdido foque algo pra posteridade.

Eu espero.

Espero que chegadas anulem partidas,

Que mãos não se ergam em despedidas,

Que minha vontade, mais do que vontade,

Prevaleça na intenção de te abraçar.

Eu espero.

Espero que a presença confunda a ausência,

Que amor seja amor sempre no outono,

Que somente nos casos mais tristes de abandono,

É que eu deixaria de te amar..



Escrito por Luciano às 00:27:00
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Assim são os dias,

Uma leva de acontecimentos

Quando nada se espera.

Quando é chegada a hora de reciclar a vida,

De eliminar pequenas doses de tristeza,

De sorver grandes gotas de alegria.

Sentir paz, criar paz, ser paz...

Assim são realmente os dias,

Alguns dedos tocando o céu,

Um abraço que se dá em si mesmo,

Uma contemplação do amor que,

Uma vez sob à sombra do abandono,

Devolve agora ao mundo descanso e ressurreição.



Escrito por Luciano às 04:58:32
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Simple Man

Pela eira, pela beira, pelos caminhos lá fora

Busco a verdade - maior de todas as mentiras.

Passo do quarto pra sala... a cozinha precisa de tinta...

Rabisco pensamentos incomuns enquanto a vida me atravessa..

Nunca quis tanto, mas sempre quis você.



Escrito por Luciano às 22:23:12
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Não sei expressar a alegria que tive ao reencontrar um texto que li na minha infância

e que só agora, depois de anos, consegui achá-lo. Ele representa muito das coisas que hoje penso a respeito da vida, como ela é ou como deveria ser...

Matemos nossa fome de ser gente!!!

Atrás do balcão, o rapaz de cabeça pelada e avental olha o crioulão de roupa limpa e remendada, acompanhado de dois meninos de tênis branco, um mais velho e outro mais novo, mas ambos com menos de dez anos.

Os três atravessam o salão, cuidadosa mas resolutamente, e se dirigem para o cômodo dos fundos, onde há seis mesas desertas.

O rapaz de cabeça pelada vai ver o que eles querem. O homem pergunta em quanto fica uma cerveja, dois guaranás e dois pãezinhos.

– Duzentos e vinte.

O preto concentra-se, aritmético, e confirma o pedido.

– Que tal o pão com molho? – sugere o rapaz.

– Como?

– Passar o pão no molho da almôndega. Fica muito mais gostoso.

O homem olha para os meninos.

– O preço é o mesmo – informa o rapaz.

– Está certo.

Os três sentam-se numa das mesas, de forma canhestra, como se o estivessem fazendo pela primeira vez na vida.

O rapaz de cabeça pelada traz as bebidas e os copos e em seguida, num pratinho, os dois pães com meia almôndega cada um. O homem e (mais do que ele) os meninos olham para dentro dos pães, enquanto o rapaz cúmplice se retira.

Os meninos aguardam que a mão adulta leve solene o copo de cerveja até a boca, depois cada um prova o seu guaraná e morde o primeiro bocado do pão.

O homem toma a cerveja em pequenos goles, observando criteriosamente o menino mais velho e o menino mais novo absorvidos com o sanduíche e a bebida.

Eles não têm pressa. O grande homem e seus dois meninos. E permanecem para sempre, humanos e indestrutíveis, sentados naquela mesa.

(FESTA - WANDER PIROLI)



Escrito por Luciano às 19:53:23
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Das vezes em que me nutri em seus abraços,

Das chances que perdi com seus impulsos,

Dos dias em que me deixaste sem indulto...

No amor arado e não cultivado, na palavra pensada e não proferida,

No abraço não dado e sufocado em toda a vida...

Um tempo sem regresso; abandono que não se conforma..



Escrito por Luciano às 01:19:33
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N I G H T F L Y

Minha vida, essa sim pula o muro dos anos, atravessa o quintal dos tempos,

Constrói nos canteiros dos sonhos. Repousa no telhado dos desejos inalterados,

Onde estrelas testemunham a gênese das tantas vidas que viverei.

Trago comigo tudo o que existe lá fora;

E no espaço, flutuam as coisas que existem aqui, dentro de mim.



Escrito por Luciano às 23:42:53
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E agora, que faço com esta saudade impregnada,

Que me bole sem tempo, que me vence sem glória,

Que me joga pra dentro e pra fora de mim?

Que faço com esta dor exagerada,

Que nasce da espera, que não se completa,

Que em braços estranhos se afasta, por fim?

Que faço com este adeus presenteado,

Que era sem tempo, que ainda vigora,

Que jamais se despede porque faz parte de mim?

* FOTO: ANNA RIGATO



Escrito por Luciano às 13:10:46
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E é assim... Dessa maneira é que me encontro com você todas as noites...

No sono que precede a lembrança, no silêncio que percebe a ausência...

Todas as noites.. Veladas de saudade exagerada, afastadas de presença consumida.

Insistentes em amor, por toda a vida...



Escrito por Luciano às 00:20:43
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Quão insensíveis são tuas mãos, de dedos finos, de leves insultos.

Quantas vezes as imaginei fracas, astutas...

Mãos que sabiam do exato caminho da redenção de minha vida,

Mas que a mim legavam somente a indiferença comedida...

Mãos que se puseram em adeus quando eu recém aportava em seu coração...

Que apartavam meus sonhos, que aproximavam meus medos,

Que jamais se comprometeram com qualquer desejo meu de querer, só por querer..



Escrito por Luciano às 03:35:45
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Moça querida, dos sonhos meus,
Testemunha evidente do amor que se deu.
Dos simples instantes, da dor que restou,
Moça querida, onde, enfim, me guardou?

Seus beijos silentes, como marés mansas,
Sossegavam minha vida no barco da paz.
Luz dos meus dias, meu farol, meu guia,
Me puseste à deriva, pois voltas jamais.

Moça querida, desta e de outras vidas,
Me deixaste a lembrança do sorriso teu.
E como castigo, um amor sem esperança,
Tão cheio de ausência, tão cheio de adeus.



Escrito por Luciano às 13:06:55
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Qual é o tempo de sorrir um tanto, de chacotear o pranto,

De zombar de si mesmo e, ao mesmo tempo que não te vejo,

É o mesmo tempo de te querer tanto?

Qual a gota inexplicada de saudade, precisada de presente,

Incompleta de espírito, repleta de estrelas que brilham

Num céu de sentimentos obscuros?

Que desgraça é essa que se personifica em lágrima, que se sublima em tempo,

Que se perde por fora e por dentro?

Por que o amor, para que seja o amor, não se deve guardar aqui dentro?



Escrito por Luciano às 07:17:49
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Oh, minha querida, quais sonhos são teus?

Quais alegrias, quem as prometeu?

Quantas mentiras lhe disseram sem brio

Quase sem dores pra quem nunca ouviu?

De quantas verdades você necessita,

Pra que em teus braços a paz tão maldita,

Chegue e a afaste dos longos meus?



Escrito por Luciano às 07:17:12
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Amor..

Feito de terrenos sujos, de promessas baldias.

Da liga que são feitos os sonhos irrecuperáveis.

Nascido da cal do desespero, da argamassa que me uniu ao seu corpo.

Do arame que me cortou todo de você.

Amor,

Do concreto armado e amado,

Das mãos que medem a desconconstrução do carinho

Que, à laje das promessas irrealizáveis,

Não se sustenta, ruindo até desabar.



Escrito por Luciano às 07:16:10
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BRASIL, Centro-Oeste, CAMPO GRANDE, CENTRO, Homem, de 26 a 35 anos, English, French, Cinema e vídeo, Música
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LUCIANO VIEIRA - Jornalista e produtor cultural. Escritor desde 94, possui há 2 anos o blog PAPIROS. Escreve também para os sites literários "BALELA" e "VER O POEMA".

 

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